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CESAR .
Publicado em: 01 de abril de 2025
Tecnologia
Gestão de energia elétrica: como mitigar falhas no setor?

A gestão de energia elétrica desempenha um papel indispensável na sustentabilidade e no bom funcionamento das cidades e indústrias modernas. Com o avanço das tecnologias, estamos vendo uma transformação digital na forma como a energia é monitorada e controlada, permitindo que problemas, antes frequentes e difíceis de prever, sejam minimizados.
Nesse cenário, a infraestrutura elétrica, que garante a distribuição de energia, exige cuidados constantes para se manter eficiente. Tecnologias como Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e análise preditiva estão reformulando a maneira como as redes elétricas são geridas.
Esses avanços oferecem grandes benefícios, como a redução de custos e prevenção de falhas. Explore a seguir como essas inovações estão transformando a gestão das infraestruturas elétricas e como as empresas podem aproveitar essas oportunidades para otimizar suas operações e reduzir riscos.
Os desafios das infraestruturas elétricas tradicionais
As infraestruturas elétricas tradicionais, em sua maioria, enfrentam uma série de desafios que comprometem a eficiência do sistema. Entre os principais problemas estão o envelhecimento das redes e equipamentos, os sistemas legados desatualizados e os elevados custos de manutenção corretiva.
Esses desafios afetam a confiabilidade do fornecimento de energia e aumentam o risco de falhas inesperadas, que podem ter sérios efeitos sobre consumidores e empresas. Vamos entender mais sobre os impactos de cada problemática supracitada!
1. Envelhecimento das redes e equipamentos
A maior parte das redes elétricas foi projetada há muitas décadas. O aumento da população e o crescimento das necessidades energéticas, impulsionados por inovações tecnológicas, como a eletrificação de novos setores, tornaram as infraestruturas antigas cada vez mais insuficientes. Além disso, os equipamentos que compõem as redes elétricas, como transformadores, disjuntores e cabos, acabam se tornando obsoletos com o tempo.
Sem um investimento contínuo em manutenção e atualização desses sistemas, ocorrem falhas recorrentes que comprometem a confiabilidade do fornecimento de energia. Isso representa um desafio imenso para as operadoras, que precisam substituir equipamentos e redes com custos elevados e sem causar interrupções no serviço.
2. Sistemas legados desatualizados e não funcionais
Outro grande obstáculo para a evolução da infraestrutura elétrica são os sistemas legados. São aqueles que foram implementados há muito tempo e, com o passar dos anos, se tornam cada vez mais difíceis de integrar com tecnologias mais modernas. Esses sistemas antigos não são compatíveis com soluções inovadoras que podem otimizar a operação e o gerenciamento da rede.
Com isso em mente, muitas infraestruturas elétricas ainda dependem de sistemas antiquados, sem monitoramento em tempo real, o que significa que as falhas podem passar despercebidas até o momento em que o problema já se tornou sério.
3. Alto custo de manutenção corretiva
Quando uma falha ocorre, a única opção é realizar a manutenção corretiva, que costuma ser muito mais cara do que a manutenção preventiva. Esse processo envolve a interrupção do serviço, o que gera prejuízos tanto para as operadoras quanto para os consumidores.
Com isso, muitas infraestruturas elétricas ainda dependem de sistemas antiquados, sem monitoramento em tempo real, o que significa que falhas podem passar despercebidas até o problema se tornar sério. Isso faz com que as empresas enfrentem altos custos não apenas pela reparação dos danos, mas também pela perda de eficiência e pela interrupção do fornecimento de energia.
Como a tecnologia está transformando a gestão da rede elétrica
A transformação digital no setor elétrico tem sido impulsionada por tecnologias como IoT, IA e análise preditiva, que oferecem novas formas de monitoramento e controle das redes. Essas inovações aumentam a eficiência das operações e ajudam a antecipar falhas, reduzindo o tempo de inatividade e melhorando a confiabilidade.
1. Sensores IoT para monitoramento remoto e coleta de dados
Sensores baseados em Internet das Coisas (IoT) permitem o monitoramento em tempo real das condições das infraestruturas elétricas, coletando dados como tensão, corrente e temperatura. Essa coleta contínua possibilita a detecção precoce de anomalias, permitindo intervenções antes que problemas se agravem.
Além disso, a integração desses sensores com sistemas de gestão de energia facilita o monitoramento remoto, otimizando o tempo de resposta a falhas e a operação em locais de difícil acesso.
Com essa integração, é possível coletar e realizar a análise dos dados de forma mais precisa e de baixo custo, além de possibilitar a automação da rede, resultando em maior resiliência, redução de falhas e melhor gestão do consumo energético.
2. Aplicação de IA para análise e identificação de padrões de falha
A Inteligência Artificial (IA) também desempenha um papel fundamental na análise de grandes volumes de dados gerados pelos sensores IoT. Por meio de algoritmos de aprendizado de máquina, a IA identifica padrões de falha, prevê quando um equipamento está prestes a falhar e sugere ações preventivas.
Essa capacidade de prever falhas antes que ocorram auxilia as operadoras a realizar manutenção preditiva, reduzindo custos e melhorando a confiabilidade da rede.
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3. Digital Twins para simulação e antecipação de problemas
Os gêmeos digitais funcionam como réplicas virtuais das infraestruturas elétricas, que permitem simular diferentes cenários e antecipar possíveis problemas, como falhas ou sobrecargas. Com esses modelos virtuais, é possível testar soluções sem impactar a rede real.
Esses gêmeos digitais utilizam dados em tempo real para prever quando a rede precisará de manutenção, auxiliando as operadoras a se anteciparem e realizar ajustes antes que problemas maiores ocorram. Esse monitoramento constante possibilita identificar riscos de forma mais eficaz, o que permite que ações corretivas sejam tomadas antes que o cenário se agrave.
Um ótimo exemplo dessa tecnologia em ação é o projeto Digital Twin, que surgiu da parceria entre o CESAR com a Petrobras e a UFRJ. Esse nosso projeto, que foi premiado no SPE Awards e chegou à final do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica, cria um gêmeo digital para monitorar dutos flexíveis na indústria do petróleo.
A solução ajuda a detectar corrosão sob tensão (SCC-CO2) e otimizar a produção, aumentando a segurança e a eficiência operacional. Ao monitorar os dutos em tempo real, a tecnologia também contribui para reduzir custos e melhorar a gestão dos recursos, tornando as operações mais robustas e preparadas para qualquer imprevisto.
Benefícios da adoção de soluções tecnológicas
Adotar novas tecnologias pode ser um verdadeiro divisor de águas para as empresas do setor elétrico. As soluções apontadas acima oferecem um controle mais preciso das infraestruturas, permitindo um monitoramento mais eficaz e a otimização dos processos de manutenção e operação. Vamos destrinchar um pouco essas vantagens?
Redução do tempo de resposta a falhas
Com a coleta de dados em tempo real e a análise preditiva, as operadoras conseguem identificar falhas antes que se agravem, diminuindo o tempo de inatividade. Isso resulta em um sistema mais confiável, no qual os consumidores e empresas não precisam lidar com interrupções inesperadas de energia, garantindo que a operação siga sem maiores contratempos.
Otimização da manutenção preventiva e preditiva
Com o monitoramento constante e a análise preditiva, é possível otimizar a manutenção, identificando com antecedência onde a rede precisa de atenção antes que um problema se torne grande. Isso que mantém a rede funcionando bem e ainda ajuda a reduzir custos com reparos inesperados.
Maior eficiência operacional e redução de custos
A automação de processos, combinada com IA e IoT, torna as operações mais ágeis, reduzindo a intervenção manual e minimizando erros. Ao otimizar a alocação de recursos e processos, a operação se torna mais rápida e assertiva.
Isso significa que, ao invés de reagir a problemas, as equipes podem antecipar as necessidades da rede, ajustando as operações antes que algo precise ser corrigido de última hora. O resultado é uma significativa redução nos custos de manutenção e operação.
Além disso, conforme as infraestruturas se tornam interconectadas, a mitigação de dados e a cibersegurança ganham um papel fundamental. Proteger os dados gerados por sensores IoT e IA, bem como garantir que a rede permaneça segura, mantém a confiabilidade do sistema e evita vulnerabilidades.
A mitigação de dados envolve aplicar estratégias rigorosas de proteção e controle, prevenindo acessos não autorizados e a perda de informações valiosas. Para entender como integrar a cibersegurança na gestão de infraestruturas energéticas, confira o nosso post sobre cibersegurança e a implementação em infraestruturas energéticas.
Casos de uso e tendências futuras
As concessionárias e operadoras estão cada vez mais incorporando tecnologias como inteligência artificial e automação para deixar as redes elétricas mais eficientes, rápidas e sustentáveis.
Com os sensores IoT, é possível acompanhar a rede em tempo real, detectar falhas e corrigir problemas antes que se tornem grandes. Esse monitoramento contínuo também ajuda a otimizar o uso de energia, ajustando a rede automaticamente para evitar desperdícios.
Além do mais, essas inovações poderão contribuir cada vez mais para a sustentabilidade, para reduzir desperdícios e ajustar a distribuição conforme a demanda. Integrando essas inovações, as redes se tornarão mais resilientes, eficientes e preparadas para os desafios à frente, com benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a operação das concessionárias.
E no futuro, com o uso de IA e gêmeos digitais, a rede vai poder não só identificar falhas, mas também corrigir sozinha, sem precisar de uma ação manual. Isso vai tornar a gestão das redes muito mais ágil, com menos interrupções e muito mais confiança, garantindo que tudo funcione da melhor maneira possível.
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